Em fevereiro telefona uma família. O avô desloca-se em cadeira de rodas, querem duas noites no fim de maio, e a pergunta chega em trinta segundos: o sanitário é acessível, e chega-se ao alvéolo sem degrau. Se hesitar ao telefone, a reserva vai para o parque seguinte. A acessibilidade no parque de campismo não é só uma obrigação legal: é uma informação comercial que os seus hóspedes procuram antes de reservar e que quase nenhum parque publica como devia.
O que a lei exige, em duas camadas
A primeira camada é o regime das normas técnicas de acessibilidade, que define as condições a observar nos edifícios e espaços de utilização pública: percursos acessíveis, inclinações máximas, larguras livres, instalações sanitárias e lugares de estacionamento reservados. Aplica-se a construção nova e a obras de alteração relevantes, não retroativamente a um sanitário de 1988.
A segunda camada, e a que mais lhe interessa no dia a dia, é o regime dos empreendimentos turísticos e os requisitos da categoria do seu parque, que podem fixar um número ou uma proporção de unidades de alojamento acessíveis e condições próprias para os sanitários e os percursos. Esses números não são iguais em todas as categorias, por isso não os presuma a partir do que lhe contaram noutro parque.
O que convém fazer é simples e faz-se uma vez: peça por escrito ao Turismo de Portugal e à câmara municipal quais os requisitos de acessibilidade aplicáveis a um parque da sua categoria e capacidade, e guarde a resposta com a data. Quando mudar o responsável da manutenção, essa nota é a única coisa que fica.
Acessível não é só cadeira de rodas
As normas e, mais importante, os seus hóspedes abrangem muito mais do que a mobilidade: há limitações visuais, auditivas e cognitivas. E há uma parte enorme do mercado que não se declara com deficiência e precisa do mesmo: pessoas idosas, alguém operado a um joelho, uma família com um carrinho de bebé.
Num parque de campismo isso traduz-se em coisas muito concretas: um percurso estabilizado e sem ressalto até aos sanitários, um balcão de receção com uma parte baixa, iluminação suficiente ao anoitecer, sinalética legível com contraste, e pessoal que saiba responder sem ir chamar o patrão.
O que um hóspede realmente verifica
Para além do texto legal, é isto que se verifica antes de reservar, por esta ordem:
- O sanitário: uma cabina adaptada, com barras de apoio, espaço de rotação e duche sem ressalto, limpa e que em agosto não é usada como arrecadação de produtos.
- O percurso: do estacionamento ao alvéolo e do alvéolo ao sanitário, estabilizado, sem degrau e praticável depois da chuva.
- O alvéolo ou o alojamento adaptado: plano, perto do sanitário, com um lugar de estacionamento ao lado, e num bungalow uma rampa correta e uma casa de banho realmente utilizável.
- A receção: balcão com parte baixa e alguém que conheça as respostas.
- A piscina: como se entra no tanque, se há elevador ou escada com corrimão, e em que horário.
- A informação antes de reservar: fotografias, larguras de porta, inclinações e medidas publicadas com honestidade.
Este último ponto é o que dá dinheiro. Uma família que encontra no seu site a largura da porta da casa de banho e a inclinação do caminho reserva consigo e não no vizinho que escreve apenas acessível. E poupa-lhe a chegada catastrófica de sexta à tarde, quando a realidade não corresponde ao prometido.
Meça e publique, mesmo que não seja perfeito
Muitos parques não publicam nada porque acham que, se não são totalmente acessíveis, é melhor calar. É exatamente ao contrário. O que irrita não é o caminho ter oito por cento de inclinação, é descobri-lo à chegada.
Pegue numa fita métrica numa manhã de novembro e anote: largura livre das portas da cabina adaptada e do bungalow, medidas do espaço de rotação, altura da sanita e das barras, inclinação do trecho mais duro do caminho, distância em metros do alvéolo adaptado ao sanitário, e se o pavimento é betão, saibro ou relva. Publique essa tabela numa página própria do seu site e ligue-a a partir da página de preços.
Acrescente quatro fotografias sem retoque: a casa de banho adaptada completa, o duche, a entrada do alojamento com a rampa, e o caminho. Leva uma manhã e resolve para sempre a conversa telefónica de fevereiro.
Anote a necessidade na reserva
Uma informação de acessibilidade que fica na cabeça de quem atendeu o telefone não serve para nada. Anote a necessidade na própria reserva: alvéolo adaptado pedido, cadeira de rodas, proximidade do sanitário, cão de assistência. No dia da chegada, quem recebe vê o mesmo que quem reservou.
E lembre-se de que um cão de assistência não é um animal de companhia: não se lhe aplicam as suas regras nem o seu preço de cão, e o direito de acesso a locais públicos está previsto na lei. Explique isso ao pessoal de época antes de surgir no portão.
Em CampSuite a reserva guarda o hóspede e os seus dados, o sinal, as mensagens e a fatura num só sítio, também no telemóvel, e as chegadas do dia aparecem com o que foi anotado. Veja o funcionamento em funcionalidades e o que custa na página de preços.
Lista para este inverno
- Requisitos de acessibilidade da sua categoria pedidos por escrito ao Turismo de Portugal e à câmara, e arquivados com a data.
- Volta ao parque com fita métrica: larguras de porta, rotações, inclinações, ressaltos, altura do balcão.
- Tabela de medidas reais publicada numa página própria e ligada a partir dos preços.
- Quatro fotografias sem retoque: casa de banho adaptada, duche, entrada com rampa, caminho.
- Cabina adaptada verificada: barras firmes, espaço de rotação livre, duche sem ressalto.
- Compromisso de que em agosto a cabina adaptada não serve de arrecadação.
- Percurso principal estabilizado e praticável depois da chuva.
- Lugar de estacionamento junto ao alvéolo ou alojamento adaptado.
- Parte baixa no balcão da receção.
- Iluminação do caminho até ao sanitário verificada de noite.
- Acesso ao tanque da piscina explicado no site, com o horário.
- Campo de acessibilidade na ficha de reserva, e usado.
- Pessoal informado sobre cães de assistência e sobre quem responde a estas perguntas.
A acessibilidade é um daqueles assuntos que saem caros quando se descobrem em plena época e quase nada quando se tratam em novembro. A fita métrica custa uma manhã, a tabela no site outra, e as duas juntas trazem reservas que estava a perder sem saber. Se quiser organizar reservas e chegadas num só sítio, veja as soluções para parques pequenos ou fale connosco.