Uma caravana num alvéolo de época com um aviso de pagamento na mesa

O hóspede de passagem que não paga é um problema de organização: resolve-se com um sinal pedido sempre e o saldo cobrado à chegada. O cliente de época que não paga é outra coisa. A caravana continua no alvéolo, o senhor cumprimenta-o todos os sábados, e cada mês que passa torna a conversa mais difícil e a dívida mais antiga. É aqui que a maioria dos gestores de parques se engana, não por falta de razão, mas por impaciência.

Tudo começa no contrato

Antes de escrever uma única carta, releia o seu contrato de alvéolo de época e confirme que tem estes cinco elementos. Se faltar algum, a sua margem reduz-se muito.

Se o seu modelo é o mesmo há dez anos, este é o momento de o mandar revisar por advogado antes da próxima renovação. Uma hora de honorários resolve o problema de todos os anos seguintes.

A sequência correta, sem saltar passos

  1. O aviso informal. Um telefonema e um email, nos primeiros quinze dias. A maior parte dos atrasos acaba aqui, e muitos são esquecimento ou uma transferência que falhou. Guarde cópia de tudo, mesmo do que parece banal.
  2. A interpelação escrita. Carta registada com aviso de receção, a identificar o contrato, o valor em dívida, as prestações em falta e um prazo concreto para pagar. É a peça que conta: sem ela, tudo o que vier depois fica mais difícil e mais lento.
  3. A injunção. Para dívidas pecuniárias emergentes de contrato existe o procedimento de injunção, apresentado por via eletrónica através do Balcão Nacional de Injunções. É mais rápido e mais barato do que uma ação, e se o devedor não se opuser a fórmula executória permite seguir para execução. Confirme com o seu advogado se o seu caso cabe no procedimento e com que documentos, porque os requisitos e os valores mudam.
  4. A resolução do contrato. Assenta na cláusula do seu contrato e na interpelação que ficou sem efeito. Comunica-se por escrito, com data, e não se decide ao balcão.
  5. A execução. Só depois, e com título. É o passo em que a paciência dos quatro anteriores se paga.

O que nunca deve fazer

Esta é a parte mais importante do artigo, porque os erros aqui são caros e cometem-se por irritação, não por ignorância.

O caso da caravana abandonada

Há uma variante que aparece em quase todos os parques: o cliente deixa de pagar e desaparece, e a caravana fica no alvéolo a ocupar um lugar que podia estar a render. A tentação de a remover é enorme e é precisamente o que não deve fazer sozinho.

O caminho é o mesmo: interpelação escrita para o último endereço conhecido, resolução do contrato com a notificação devida, e depois a via judicial para obter título que lhe permita retirar o bem. Enquanto isso, documente tudo: fotografias datadas do estado da caravana, leituras do contador, a lista de tentativas de contacto. Essa pasta é o que torna o processo rápido quando chegar a hora, e é também o que o protege se o cliente aparecer dois anos depois a reclamar danos.

Prevenir, que é onde se ganha dinheiro

Os parques que praticamente não têm incumprimentos de época não são mais severos, são mais organizados. Fazem quatro coisas:

O CampSuite guarda cada reserva com os hóspedes e os seus dados, o sinal e as mensagens no mesmo lugar, também no telemóvel, cobra sinais e saldos com cartão, emite faturas e recibos, envia mensagens aos hóspedes e dá os números de reservas, ocupação e receitas, o que lhe permite ver numa página quem tem saldo em aberto e desde quando. Veja o que inclui em funcionalidades e o que muda num parque pequeno em soluções. O que nenhum programa faz por si é a interpelação e a injunção: essas são sempre suas, e é por isso que o contrato tem de estar bem escrito antes.

Lista para esta semana

Os incumprimentos de época não desaparecem, mas passam de um problema anual a um caso isolado quando a cobrança acontece antes da abertura e o contrato está escrito como deve. Se quiser falar sobre como está a acompanhar os saldos, escreva-nos pela página de contacto; os preços de cada plano estão na página de preços.