Uma ficha de hóspede e um aviso de videovigilância junto ao balcão da receção

Um hóspede escreve a pedir "todos os dados que têm sobre mim". Outro queixa-se de que a câmara do bloco sanitário o apanha à saída. Um terceiro quer sair de uma newsletter que nunca pediu. E o parque tem fichas de entrada numa pasta na receção, um disco com um mês de imagens e uma folha de cálculo com seiscentos endereços que começou em 2012. O RGPD num parque de campismo não é uma pasta de procedimentos: é saber que dados tem, porque os tem e até quando. Aqui fica o que se aplica, pela ordem em que convém resolver.

Que fundamento para que dados

O Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, executado em Portugal pela Lei 58/2019, exige um fundamento para cada tratamento. Não é formalidade: é o fundamento que decide se pode continuar quando o hóspede lhe diz para parar. Num parque são quase sempre quatro:

A consequência prática vê-se no hóspede que pede para apagar tudo: os endereços da newsletter saem, o boletim de alojamento e as faturas não, porque os conserva por obrigação legal. Explicar isso bem, por escrito, é metade do trabalho.

Quanto tempo guardar cada coisa

É aqui que mais falha. Um prazo por tipo de dado, numa folha afixada na receção:

A folha de cálculo de 2012 é o problema clássico: ninguém sabe de onde vieram aqueles contactos nem quem consentiu. Se não consegue demonstrar o consentimento, não os pode usar.

Câmaras: onde sim, onde nunca

A videovigilância é o que gera mais queixas, porque é a única coisa que um hóspede irritado fotografa e junta a uma participação. As regras são claras:

E não esqueça o gravador. Se está num escritório aberto ou ligado à internet com a palavra-passe de fábrica, o problema não é jurídico mas de segurança, e acaba por se tornar jurídico.

Formulários, site e wifi

Em cada ponto onde pede um dado tem de haver uma informação curta: quem trata, para quê, com que fundamento, durante quanto tempo, a quem é comunicado e como exercer os direitos. Na prática:

  1. Formulário de reserva e ficha de entrada: texto visível no próprio formulário e ligação para a política completa.
  2. Caixa de marketing separada e não pré-assinalada. O consentimento para a newsletter não pode ir dentro do "aceito as condições de reserva".
  3. Site: política de privacidade, aviso de cookies com recusa tão fácil como a aceitação, e formulário de contacto com o seu texto.
  4. Wifi: se pede dados para dar acesso, é um tratamento, com informação e prazo próprios.
  5. Fotografias de hóspedes para redes sociais: consentimento expresso, e cuidado redobrado com menores.

A isto juntam-se o registo das atividades de tratamento, que é apenas a lista do que trata e porquê, e os contratos com subcontratantes: contabilista, empresa do site, software de reservas, empresa de segurança.

Direitos e violações de dados

Se um hóspede exercer os direitos de acesso, retificação, apagamento, oposição, limitação ou portabilidade, tem um mês para responder, e responder é obrigatório mesmo para dizer que não pode apagar e porquê. Tenha uma resposta-tipo e um responsável com nome.

Numa violação de dados, um portátil roubado, um email com a lista de hóspedes enviado a quem não devia, um servidor cifrado por um ataque, a regra são 72 horas para notificar a CNPD quando houver risco para os titulares, e informar também os titulares se o risco for elevado. Mantenha um registo interno de todos os incidentes, incluindo os que não notificar. Aponte hoje o contacto de quem trata da informática, porque no meio de uma violação ninguém procura bem.

Menos sítios, menos problemas

A maioria dos sustos de um parque não vem da lei, vem da dispersão: fichas em papel numa gaveta, uma folha de cálculo no portátil da receção, emails em duas caixas e fotografias de documentos no telemóvel de alguém. Quantos menos sítios, mais fácil é tudo: responder a um pedido de acesso, apagar o que tem de ser apagado, demonstrar o que fez.

O CampSuite ajuda exatamente aí: cada reserva guarda os hóspedes com os seus dados, o sinal e as mensagens num só sítio, no telemóvel, por isso os dados que o boletim de alojamento pede estão onde devem estar e não num caderno. As reservas online e as que a receção anota entram no mesmo planning, as confirmações e as mensagens saem da mesma reserva, e as faturas também. O que o CampSuite não faz é submeter seja o que for no SIBA: guarda os dados que o formulário pede e o envio é feito por si. Num parque pequeno sem departamento para isto, é o que mais muda.

Lista de verificação para esta semana

Com isto, o email do hóspede responde-se em dez minutos e com argumentos, e a câmara do bloco sanitário deixa de ser uma coima à espera de ser notada. Para ter reservas e dados dos hóspedes num só sítio em vez de quatro, veja os preços ou fale connosco.