Um documento com um selo ao lado de um registo aberto

Um ramo cai sobre a tenda de uma autocaravana em agosto. Uma criança escorrega no acesso à piscina. Uma tempestade levanta o telhado de dois bungalows em outubro, com o parque já fechado. Nos três casos a pergunta é a mesma e chega no pior momento: o que é que a apólice cobre exatamente. Os seguros do parque de campismo são daquelas coisas que se renovam por hábito todos os anos e que só se leem depois de acontecer algo. Este artigo é para as ler em novembro, com calma, e chegar à época a saber o que tem contratado.

A responsabilidade civil é a que não pode faltar

A legislação dos empreendimentos turísticos exige um seguro de responsabilidade civil que cubra os riscos decorrentes do funcionamento do empreendimento. A primeira coisa a fazer é confirmar com o mediador, e se necessário com o Turismo de Portugal, qual é a exigência aplicável ao seu caso e se a apólice que tem a cumpre. Muitas vezes a apólice foi contratada há quinze anos e as condições mudaram desde então.

Dentro da responsabilidade civil há coberturas que não são a mesma coisa e que convém distinguir na sua apólice:

Pergunte expressamente pela piscina e pelos equipamentos de diversão aquática se os tiver, porque em algumas apólices são um capítulo próprio ou ficam excluídos se não forem declarados. Pergunte também pelos parques infantis e pelo arvoredo.

O seguro de acidentes de trabalho é outro, e é obrigatório

É o erro mais frequente nas estruturas pequenas: pensar que a responsabilidade civil cobre o trabalhador. Não cobre. O seguro de acidentes de trabalho é obrigatório e é um contrato distinto, e tem de incluir todas as pessoas que trabalham no parque, incluindo o pessoal de época contratado em junho e quem dá uma ajuda em agosto.

Antes de cada época, confirme com o mediador que a apólice reflete a folha de pessoal real e as funções efetivas, e não a de há três anos. E se tem prestadores de serviços no terreno, jardinagem, limpeza ou manutenção, verifique se eles próprios têm seguro, porque na falta dele a conversa acaba por chegar a si.

Multirriscos: o que conta como edifício e o que não

A segunda perna é o multirriscos, que cobre o edifício e o conteúdo contra incêndio, roubo, danos por água e fenómenos da natureza. O ponto crítico num parque de campismo é o que se considera edifício. Os bungalows, as casas de madeira, as tendas safari, a recepção, os sanitários, a vedação, a cancela, a piscina e as instalações elétricas têm de estar declarados e valorizados. Uma casa de madeira comprada há três anos e nunca acrescentada à apólice é, na prática, uma casa sem seguro.

Verifique em particular as coberturas de fenómenos da natureza e de tempestade, e o que a apólice diz sobre vento, chuva e queda de árvores, porque é o que acontece todos os invernos. E pergunte o que fica coberto durante o período em que o parque está fechado, que é precisamente quando ninguém vê os estragos nos primeiros dias.

O subseguro é o problema que não se vê

Se segurar por trezentos mil o que vale seiscentos mil, não recebe trezentos mil num sinistro parcial: aplica-se a regra proporcional e recebe metade do que lhe competia. É o erro mais caro e o mais silencioso, porque só se revela no dia da participação.

Os parques de campismo são especialmente sujeitos a isto por uma razão simples: crescem aos poucos. Cada ano um bungalow a mais, um alpendre, uma pérgola, um sanitário remodelado, painéis solares, uma cancela nova. Nenhuma dessas obras parece suficiente para telefonar ao seguro, e em dez anos o capital seguro ficou a metade.

A solução é uma revisão anual com a lista do que foi acrescentado ou melhorado durante o ano. Meia hora em novembro, com as faturas da época à frente.

Perda de exploração: o prejuízo que não aparece nas fotografias

Se um incêndio o deixa sem sanitários em maio, o custo real não é reconstruir o edifício, é a época que não vai faturar. A cobertura de perda de exploração cobre exatamente isso: as receitas que deixa de ter e os custos fixos que continua a pagar enquanto não pode abrir.

Para um negócio tão sazonal como um parque de campismo é uma cobertura a olhar com atenção, porque o mesmo sinistro custa coisas muito diferentes em fevereiro e em julho. Ao contratá-la, verifique o período de indemnização e garanta que cobre pelo menos uma época completa, não três meses.

O que o seguro não resolve: a prova

Quando há uma participação, o seguro pede sempre o mesmo: o que aconteceu, quando, a quem, quem atendeu e em que estado estava a instalação. Um parque que tem registo das verificações da piscina, dos parques infantis, do arvoredo e da instalação elétrica resolve um sinistro em dias. Um que não tem discute durante meses.

Anote os incidentes na reserva do hóspede afetado, com a data, o que se passou e quem atendeu. Guarde os relatórios de manutenção com data. Fotografe as instalações no início e no fim da época. Em CampSuite cada reserva guarda os hóspedes e os seus dados, os pagamentos e as mensagens trocadas num só sítio, também no telemóvel, e isso inclui o que anotou no dia do incidente. Veja como funciona em funcionalidades e o que custa na página de preços.

Lista antes de renovar

Um seguro bem ajustado nunca se nota, e um mal ajustado nota-se uma única vez, no pior mês possível. Dedique-lhe a manhã de novembro que agora parece desnecessária. Se quiser ter as reservas, os hóspedes e os incidentes num só sítio para quando for preciso documentar algo, veja as soluções para glamping ou fale connosco.