Há uma coincidência feliz na conta da eletricidade de um parque de campismo: o consumo é maior precisamente quando há mais sol. Bombas da piscina, arcas, ar condicionado nos bungalows, chuveiros, caravanas ligadas. Em dezembro o parque gasta pouco e em agosto gasta tudo, e é em agosto que um telhado com painéis produz mais.
Isso faz do autoconsumo uma das poucas decisões de investimento num parque em que a aritmética costuma dar razão a quem a faz. Mas tem de ser feita, e com os números do parque e não com os da brochura.
Comece pelo diagrama de carga, não pelo orçamento
Antes de pedir propostas, saiba o que gasta e quando. Não a fatura mensal: a distribuição ao longo do dia.
- Peça ou consulte os dados do seu contador para um mês de agosto e um de abril, ao quarto de hora se os tiver. É isto que determina que parte da produção solar consegue aproveitar.
- Identifique o que consome de dia: bombas da piscina, frio do minimercado, lavandaria, ar condicionado. É aqui que o investimento se paga.
- Identifique o que consome de noite: iluminação dos caminhos, caravanas, chuveiros ao final do dia. Isto não é coberto por painéis sem armazenamento.
- Veja a potência contratada e as horas de ponta. Às vezes a primeira economia não é solar, é ajustar o contrato e deslocar a bomba da piscina para outro horário.
Esse último ponto merece uma tarde antes de qualquer investimento: mudar o horário da filtragem não custa nada. A parte de medir e repercutir aos hóspedes está em o artigo sobre a eletricidade por alvéolo.
Dimensionar para o que consome, não para o telhado
O erro mais caro é instalar a potência que o telhado permite em vez da que o parque consome durante o dia. A energia que produz e não usa vale muito menos do que a que substitui, porque o que poupa de verdade é o preço a que compra.
Três regras práticas:
- Dimensione pelo consumo diurno médio da época alta, não pelo pico de um dia.
- Trate a venda do excedente como um extra e não como parte do retorno. Se as contas só fecham contando com o excedente, não fecham.
- Deixe o armazenamento para a segunda fase. Baterias mudam a conta por completo e raramente se justificam na primeira instalação de um parque com consumo diurno forte.
O que é preciso registar e autorizar
Uma unidade de produção para autoconsumo está sujeita a registo ou a licenciamento junto da entidade competente do setor da energia, com um regime mais simples abaixo de determinadas potências e mais exigente acima. Os limiares e os procedimentos foram alterados mais do que uma vez nos últimos anos, pelo que não aceite o que lhe disserem de memória: confirme o regime aplicável à potência que vai instalar com a Direção-Geral de Energia e Geologia e exija ao instalador que o processo fique no contrato.
Além disso, verifique:
- O contrato com o instalador, com quem fica responsável pelo registo, pela ligação e pelos prazos.
- A certificação da instalação elétrica e a sua compatibilidade com o quadro existente. Num parque, o quadro é frequentemente o verdadeiro custo.
- A estrutura e a cobertura, se os painéis vão para um telhado. Um telhado que vai precisar de obras dentro de cinco anos não é onde se põem painéis para vinte e cinco.
- As regras urbanísticas e de ordenamento, em especial se o parque está em área protegida, em zona costeira ou em área com condicionantes paisagísticas. Fale com a câmara municipal antes de encomendar.
- O seguro, que tem de ser informado da instalação. Ver o artigo sobre seguros.
- A segurança contra incêndio, com a sinalização e o corte de emergência que os bombeiros precisam de encontrar. Ver o artigo sobre prevenção de incêndios.
A conta do retorno, em cinco linhas
Com as propostas na mão, faça este cálculo e não aceite o que vem no folheto:
- Investimento total, com painéis, inversor, estrutura, quadro, mão de obra, processo e IVA.
- Produção anual realista para a sua orientação e inclinação, com as perdas, e não o máximo teórico.
- Parte dessa produção que consome no momento, que é a que vale o preço a que compra. Aqui é que o diagrama de carga faz diferença.
- Poupança anual, multiplicando essa parte pelo preço que paga, sem contar o excedente.
- Anos de retorno, dividindo. E depois subtraia a manutenção anual, a limpeza dos painéis e a substituição do inversor a meio da vida útil, que quase ninguém inclui.
Se o resultado estiver dentro da vida útil do equipamento com margem confortável, é um bom investimento. Se depender de aumentos futuros do preço da energia para fechar, não é um investimento, é uma aposta.
Medir depois, e não só prometer antes
Instalado o sistema, registe doze meses de dois números: energia produzida e energia comprada à rede. Compare com os doze meses anteriores, no mesmo período, corrigindo pelas dormidas vendidas, porque um verão mais cheio consome mais.
Esse ajuste pelas dormidas é o que distingue uma avaliação séria de uma impressão. O CampSuite guarda cada reserva com os seus hóspedes e os respetivos dados, o sinal e as mensagens num só lugar, também a partir do telemóvel, permite gerir alvéolos, alojamentos e glamping com preços próprios e dá os números de reservas, ocupação e receitas por período. Com isso, consegue pôr o consumo de cada mês ao lado das dormidas desse mês, em vez de comparar dois verões diferentes como se fossem iguais. O que está incluído pode ver em a página de funcionalidades, e o que significa num parque pequeno em a página de soluções. O resto da leitura anual está em o artigo sobre os números depois da época.
Lista antes de assinar
- Dados do contador de um mês de agosto e de um de abril obtidos.
- Consumos diurnos e noturnos separados.
- Potência contratada e horários revistos antes de investir.
- Horário da bomba da piscina deslocado, se possível.
- Dimensionamento pelo consumo diurno da época alta.
- Excedente tratado como extra e não como retorno.
- Armazenamento deixado para uma segunda fase.
- Regime de registo confirmado junto da entidade competente.
- Responsabilidade pelo processo escrita no contrato do instalador.
- Estado do quadro elétrico e da cobertura avaliado.
- Condicionantes urbanísticas confirmadas na câmara.
- Seguro informado da instalação.
- Corte de emergência e sinalização para os bombeiros.
- Retorno calculado em cinco linhas, com manutenção e inversor.
- Doze meses de produção e de compra registados depois.
É um dos poucos investimentos num parque em que a sazonalidade trabalha a favor. Convém só que a conta seja feita com os seus números. Se quiser revê-la connosco, escreva-nos a partir de a página de contactos; os preços de cada plano estão em a página de preços.