Em janeiro, um parque no Algarve ou no Alentejo litoral tem duas realidades possíveis. Numa está fechado. Noutra tem quarenta autocaravanas de holandeses e alemães que ficam três meses, pagam por mês, gastam no minimercado e não dão quase trabalho nenhum.
A diferença entre as duas não é a meteorologia, é a decisão de tratar a estadia longa como um produto em vez de um acidente. E o que ela exige do parque é diferente do que exige uma semana de agosto.
Quem são, e porque não são todos iguais
Vale a pena separar três perfis, porque querem coisas diferentes:
- O invernante. Reformado europeu, autocaravana ou caravana, fica de novembro a março e procura sol, companhia e um preço previsível. É o mais fiel e o mais fácil de servir.
- Quem trabalha à distância. Fica semanas ou meses, pode vir fora de férias, e a única coisa de que não prescinde é a ligação à internet. Paga mais por uma boa cobertura do que por uma piscina.
- A estadia longa por motivo prático. Obras na casa, trabalho temporário na zona, um projeto. Chega sem aviso e fica mais tempo do que disse.
Os dois primeiros são um mercado que se pode ir buscar. O terceiro é procura que aparece, e que convém saber enquadrar antes de dizer sim.
O que o parque tem de ter
- Internet que aguenta trabalho, não internet que aguenta ver o email. Isto significa cobertura nos alvéolos e não só na receção, e largura de banda suficiente para videochamadas em simultâneo. É o único requisito em que não há margem para desculpas. Ver o artigo sobre o Wi-Fi.
- Eletricidade medida. Quem fica três meses com um aquecedor consome muito mais do que quem fica três noites em agosto. Sem contador por alvéolo, a estadia longa com eletricidade incluída dá prejuízo. Ver o artigo sobre a eletricidade por alvéolo.
- Sanitários abertos e aquecidos nos meses em que o resto está fechado, com água quente a horas em que há procura. Decidir qual bloco mantém aberto é a principal decisão de custo.
- Uma máquina de lavar e um sítio para secar, que em três meses deixa de ser um extra e passa a ser essencial.
- Recolha de lixo e descarga a funcionar em período de baixa, com horários afixados.
- Um sítio onde estar quando chove durante uma semana. Uma sala simples com aquecimento vale mais, neste mercado, do que um parque infantil novo.
O preço, que não é a diária a dividir
Faça o preço de estadia longa a partir do custo e não a partir do desconto. Três passos:
Primeiro, o que lhe custa. Bloco sanitário aberto, limpeza, água quente, recolha de lixo, presença de alguém, manutenção. Divida pelo número de alvéolos que pensa ocupar e tem o custo por alvéolo por mês.
Segundo, o que não cobra. A eletricidade sai do preço e vai a contador. Diga isto antes de reservar e não quando chega a fatura, que é a discussão mais frequente deste mercado.
Terceiro, o que o alvéolo rendia. Em janeiro, nada. É por isso que um preço mensal que cobre o custo e deixa margem já é melhor do que estar fechado, mesmo que a diária implícita pareça baixa. O método geral está em o artigo sobre os preços da próxima época.
Decida também, por escrito, o que acontece se a pessoa sair antes do tempo, e se o mês pago é devolvido ou não. Ver o artigo sobre o sinal e as cancelações.
Os riscos que convém fechar antes
Aqui está a parte que se esquece, e é a que cria problemas meses depois.
Não é um alvéolo de época. Uma estadia longa é alojamento turístico com uma data de saída, não um contrato anual. Escreva a data de saída no contrato e não a renove de forma automática, ou acaba com uma situação que não é o que quis criar. O enquadramento dos alvéolos de época está em o artigo sobre os alvéolos de época.
Residência e correio. Deixe claro que o parque não é domicílio e que não aceita correspondência oficial nem registos de residência. É um pedido comum e um problema se for aceite sem pensar.
O boletim de alojamento continua a aplicar-se, com a comunicação feita como manda a lei, mesmo para quem fica três meses. Ver o artigo sobre o boletim de alojamento.
A taxa municipal, quando existe, costuma ter um limite de noites por estadia. Confirme na tabela do seu município como se aplica a uma estadia de noventa dias. Ver o artigo sobre a taxa municipal.
O seguro tem de saber que há pessoas no parque fora de época, e com que serviços abertos.
Como se vai buscar este mercado
Não é com anúncios. É com três coisas simples: uma página própria no site com o preço mensal, o que está incluído e a palavra teletrabalho escrita por extenso; presença nos portais e nos clubes europeus que estes clientes usam para planear o inverno; e quem já veio. Um invernante satisfeito traz dois no ano seguinte, e é a forma mais barata de encher janeiro.
O CampSuite guarda cada reserva com os seus hóspedes e os respetivos dados, o sinal e as mensagens num só lugar, também a partir do telemóvel, permite gerir alvéolos, alojamentos e glamping com preços próprios, emite faturas e recibos, mostra as entradas e saídas do dia e dá os números de reservas, ocupação e receitas. Para estadias longas conta sobretudo a faturação mensal com a eletricidade medida à parte, e saber quem está no parque em fevereiro sem ter de ir ver. O que está incluído pode ver em a página de funcionalidades, e o que significa num parque pequeno em a página de soluções.
Lista antes de abrir este produto
- Cobertura de internet medida nos alvéolos, não na receção.
- Contadores de eletricidade por alvéolo instalados e lidos.
- Bloco sanitário de inverno escolhido, com água quente a horas.
- Lavandaria e sítio para secar disponíveis.
- Recolha de lixo e descarga com horários de baixa afixados.
- Espaço interior para dias de chuva.
- Custo mensal por alvéolo calculado, não estimado.
- Eletricidade fora do preço, dito antes de reservar.
- Regras de saída antecipada por escrito.
- Data de saída no contrato, sem renovação automática.
- Posição clara sobre domicílio e correspondência.
- Boletim de alojamento comunicado também nas estadias longas.
- Aplicação da taxa municipal a estadias longas confirmada.
- Seguro informado da atividade fora de época.
- Página no site com preço mensal e a palavra teletrabalho.
Não enche agosto, enche janeiro, que é o mês em que a maior parte dos parques não fatura nada. Se quiser montar isto com calma, escreva-nos a partir de a página de contactos; os preços de cada plano estão em a página de preços.